terça-feira, 17 de julho de 2012

Com Um Adeus e Braços Abertos (poderia ser mais difícil?)



Amanheci sozinha, vazia.
Coração dói, nem sei bem o porquê. Por que eu sangro?
Será que ainda é o mesmo motivo ou existe mais algum querer?
Viver sem tentar acreditar é mais viver?

Você me deixou com um adeus e braços abertos
Um corte tão profundo eu não mereço
Preciso desfazer esse nó na garganta
Preciso curar meu interior, resplandecer.

Sigo assim, fugindo não sei de quê.
Evitando tomar decisões, fugindo... Sendo eu mesma e ao mesmo tempo fingindo.
Poderia ser mais difícil dizer adeus e ficar sem você?
A única coisa contra nós agora é o tempo
Se eu só tivesse mais um dia...

Quero teu amor, quero teu melhor sorriso, teu melhor beijo e teu maior desejo;
Quero ser a pessoa por quem você sorri sozinha.
Estou presa em todas as palavras que você diz
E a única coisa que quero é estar em um lugar onde eu possa sentir e ouvir você respirando

mas isso não acontece, fico aqui paralisada vendo você ir embora e ainda tenho a dor que devo carregar.
Parte de mim morreu quando deixei você partir.
Começo a respirar e finjo um sorriso. É tudo igual depois de um tempo. 

Tento quebrar o casulo dessa dor em mim e entender que
você está cansada carregando um amontoado de coisas que perdeu. 
Poderia ser mais difícil ver você ir, e enfrentar a verdade?
Eu desejo que você não vá, desejo que eu pudesse voltar às horas.
Mas sei que não tenho esse poder
Ah se eu tivesse mais um dia...

Joana Bravim

sábado, 23 de junho de 2012

Uma Carta Para Ela


Sou leal a você minha algoz que arremata de modo tão abrupto os meus sentidos ao sorrir.
Ó minha doce amada, meus lábios estão selados por tua proximidade que causa em mim ebulições moleculares.
A torrente desse amor silencia minha voz diante de mais esplendorosa imagem;
Teu cheiro inebria e adormece meus sentidos;

Assumir que é amor o que sinto por ti é meu suicídio, embora nunca me tivesse ocorrido matar-me.
Eu, que simbolicamente morro várias vezes o martírio que é não tê-la em meus braços, experimento a ressurreição que é olhar você.
Já peguei uma vez de relance teu olhar, e esse instante te deu meu ser por inteiro, e este é meu segredo.

Força extrema que aprisiona meus sentidos a tua lembrança.
E tudo parecia ter nascido, a princípio, de uma vaga ideia de felicidade.
Será que o meu ofício doloroso é o de adivinhar na carne a verdade que não quero enxergar?
Cogitar a possibilidade de seguir a existência, sem nem ao menos por um momento ter a você, é me banir para um mundo enrijecido e congelado pela tua ausência.
Por isso, agarro-me a esperança de uma virgem possibilidade e sigo acompanhada pela gélida solidão dos dias que meus olhos não te veem.

Tenho um coração inundado de sentimentos, por conta disso, meus dias sem você me causam asfixia.
O tempo é meu carrasco, nada preenche as horas.
Tento aquecer-me relembrando as dádivas dos raros momentos nos quais fui agraciada pela tua presença.
Só assim, trago cores a minha vida. É em você que habita a aquarela da minha existência.
És ausente agora, porém, permanece em mim. Guardada em meu peito no mais ardente amor.

Joana Bravim

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Dia Seguinte Do Fim




Já morri demais nessa vida.
Estou cansada de viver o luto, enterrando amores...
Tendo que esquecer sorrisos, momentos...
Acostumar – me com a ausência das alegrias que criei.
Sobreviver ao vazio de possibilidades, agora inúteis.

É sempre avassalador o dia do fim, e o dia seguinte a este, não conheço palavra para expressá-lo:
Um buraco, vazio, oco, um nada interior que resta e dói absurdamente.
Tudo em volta segue, flui... Menos eu.
Agora existe outra pessoa que habita o meu interior e tenta dar continuidade aos afazeres diários.
Eu não. Eu vivo o luto.

Invento motivos que justifiquem a morte desse amor;
Lamento o que fiz e não fiz;
O que disse e o que deixei de dizer;
Eu vivo o luto dos planos que tinha feito;
Dos sonhos que foram ceifados de modo tão abrupto.

E só o tempo para me ajudar a acostumar com o vazio,
Ou quem sabe, o escorrer das horas ajude-me a desaguar de volta para mim,
E na construção diária desse cais, eu consiga fazer do meu interior um porto seguro para ancorar.

Joana Bravim





segunda-feira, 28 de maio de 2012

Questão de Sobrevivência


Preciso aprender a mentir;
Preciso aprender a fingir;
Máscara é uma questão de sobrevivência.
dizem que o amor nasce por encanto
Quem se encanta com a realidade?
Quem ama a realidade?
Preciso me inventar.
A questão é:
Como fazer isso quando se é uma péssima mentirosa?

Joana Bravim

Puro, Simples e Real.



Não gosto de ficar perto de você;
Não gosto de olhar você;
Não gosto porque você é a personificação da minha incompetência em conquistar alguém.
E isso dói... Isso dói muito.

Qual é o meu erro? Onde eu sempre erro?
Preciso saber, preciso ter a chance de corrigir... Preciso saber o que devo mudar.
Não sei conquistar o amor. Em tudo o que fiz na vida sempre fiquei entre os melhores, mas quando trata-se de relacionamento amoroso, minhas tentativas terminam em resultados sempre catastróficos, atuações patéticas.
E eu me esforço tanto... E eu me importo tanto... O que faz eu me sentir ainda mais humilhada.

Tenho consciência do meu jeito totalmente desajeitado... Talvez seja esse o meu problema. Preciso me reinventar, nascer de novo.
Ou que sabe, deve existir um jeito de reduzir a amplitude que dei aos meus medos;
Deve existir um jeito de aceitar que os dragões sejam moinhos de vento;
De me amar e me aceitar como sou;
De não dar tanto valor ao fato de que a maioria das pessoas não me entenderão... Não me aceitarão.

A minha serenidade terá que ser o bastante pra mim.
É a única coisa que tenho,
É só o que sou capaz de ser,
E isso tem que ser o suficiente.
Deve existir alguém para quem isso seja o bastante.
Deve existir alguém que não se importe em viver um amor diferente dos romances de novela.
Somente O Amor. Puro, Simples e Real Amor.

Joana Bravim



quinta-feira, 3 de maio de 2012

VOLTAR A SER POESIA



Depois que você me mostrou o caminho das cores, não quero mais voltar pra escala de cinza
Agora que eu sei que existe no mundo algo melhor pra mim, não me conformo em ficar sem, em ter menos que você.

Deixa-me sonhar
Sonhar com um futuro pra nós
Deixa eu te esquecer
Desatar os nós

No trânsito o pensamento viaja
Estaciona em nossos momentos
Tento partir, tento seguir
Mas estou lá atrás, fincada no tempo
Tempo de risos fáceis, olhares transparentes...
Estar com você é ser poesia;
É ser pôr do sol, noite de luar;
É ser maresia, brisa do mar.
Como esquecer? Como nos deixar?

Como seguir pode ser o certo?
Depois de sentir isso, sem você sou deserto.
Interior seco, árido... 
Tento seguir sozinha, e no peito, a esperança de viver nosso oásis...
Voltar a ser poesia.

Joana Bravim

AETERNUM



Quem diria que tua luz guiaria um alguém sem querer;
Quem diria que olhar você faria minha razão se perder;
Foste tu o mais impecável ser
E os teus detalhes a minh’alma faz a ti pertencer
E agora, o que será de minh’alma que arde em tamanho querer?
Terá vida eternizada?
Ou seguirá a existência feito alma penada se me negares ter você?

Joana Bravim