segunda-feira, 28 de maio de 2012

Questão de Sobrevivência


Preciso aprender a mentir;
Preciso aprender a fingir;
Máscara é uma questão de sobrevivência.
dizem que o amor nasce por encanto
Quem se encanta com a realidade?
Quem ama a realidade?
Preciso me inventar.
A questão é:
Como fazer isso quando se é uma péssima mentirosa?

Joana Bravim

Puro, Simples e Real.



Não gosto de ficar perto de você;
Não gosto de olhar você;
Não gosto porque você é a personificação da minha incompetência em conquistar alguém.
E isso dói... Isso dói muito.

Qual é o meu erro? Onde eu sempre erro?
Preciso saber, preciso ter a chance de corrigir... Preciso saber o que devo mudar.
Não sei conquistar o amor. Em tudo o que fiz na vida sempre fiquei entre os melhores, mas quando trata-se de relacionamento amoroso, minhas tentativas terminam em resultados sempre catastróficos, atuações patéticas.
E eu me esforço tanto... E eu me importo tanto... O que faz eu me sentir ainda mais humilhada.

Tenho consciência do meu jeito totalmente desajeitado... Talvez seja esse o meu problema. Preciso me reinventar, nascer de novo.
Ou que sabe, deve existir um jeito de reduzir a amplitude que dei aos meus medos;
Deve existir um jeito de aceitar que os dragões sejam moinhos de vento;
De me amar e me aceitar como sou;
De não dar tanto valor ao fato de que a maioria das pessoas não me entenderão... Não me aceitarão.

A minha serenidade terá que ser o bastante pra mim.
É a única coisa que tenho,
É só o que sou capaz de ser,
E isso tem que ser o suficiente.
Deve existir alguém para quem isso seja o bastante.
Deve existir alguém que não se importe em viver um amor diferente dos romances de novela.
Somente O Amor. Puro, Simples e Real Amor.

Joana Bravim



quinta-feira, 3 de maio de 2012

VOLTAR A SER POESIA



Depois que você me mostrou o caminho das cores, não quero mais voltar pra escala de cinza
Agora que eu sei que existe no mundo algo melhor pra mim, não me conformo em ficar sem, em ter menos que você.

Deixa-me sonhar
Sonhar com um futuro pra nós
Deixa eu te esquecer
Desatar os nós

No trânsito o pensamento viaja
Estaciona em nossos momentos
Tento partir, tento seguir
Mas estou lá atrás, fincada no tempo
Tempo de risos fáceis, olhares transparentes...
Estar com você é ser poesia;
É ser pôr do sol, noite de luar;
É ser maresia, brisa do mar.
Como esquecer? Como nos deixar?

Como seguir pode ser o certo?
Depois de sentir isso, sem você sou deserto.
Interior seco, árido... 
Tento seguir sozinha, e no peito, a esperança de viver nosso oásis...
Voltar a ser poesia.

Joana Bravim

AETERNUM



Quem diria que tua luz guiaria um alguém sem querer;
Quem diria que olhar você faria minha razão se perder;
Foste tu o mais impecável ser
E os teus detalhes a minh’alma faz a ti pertencer
E agora, o que será de minh’alma que arde em tamanho querer?
Terá vida eternizada?
Ou seguirá a existência feito alma penada se me negares ter você?

Joana Bravim

domingo, 29 de abril de 2012

Momentos pra Esquecer



Um cálice de vinho...
Era a única coisa que me restava;
Um cálice de vinho...
Era a única coisa que me acompanhava.

Mesmo sendo feita de titânio,
Sempre fui de alguma forma ferida, mas nunca me entregava, sempre me reerguia.
O coração sempre foi minha kriptonyta, meu calcanhar de Aquiles.

Mais uma vez a olhar o desabor dos meus sonhos e expectativas.
A cada gole amargo que a vida me servia
Fazia-me sentir descer queimando as lembranças de um futuro desfeito
E mais uma vez me questionar:
Deus, o que eu fiz para merecer isso?

E o flash das lembranças magoa a ferida que tenta sarar.
Enquanto um turbilhão de pensamentos é aquecido pelo vinho_ que tem amargura semelhante a minha existência _ ouço uma música da banda “Nenhum de nós” que me diz: “Quero um machado pra quebrar o gelo, quero acordar do sonho agora mesmo, quero uma chance de tentar viver sem dor...”

Não sei precisar onde estou nem pra onde vou;
Pouco importa a direção a seguir quando não se sabe o que quer ou o que se é.
Sinto-me em mar aberto, à deriva... Sendo levada por acontecimentos desencadeados pelo acaso cotidiano
Sem saber ao certo no que vai dar, ou o que esses eventos vão exigir de mim...

Vou empurrando a existência, tentando evitar ver o que não tenho para notar...
Mais uma vez me encontro fora de órbita;
Mais uma vez, sem opção, tenho que partir em retirada. Para onde? Não sei.
Mais um amontoado de sorrisos, cheiros e momentos pra esquecer...
Deus... até quando?

Joana Bravim

domingo, 8 de abril de 2012

Singularidade



Tinha um modo muito peculiar de agir:
Não agir era sua principal característica.

Sentia-se desencaixada do mundo
Relacionar-se não era uma habilidade inerente ao seu modo de ser
Apesar de, às vezes, sentir necessidade de pertencer,
De fazer parte.

Sempre fora incompetente para se aproximar ou reaproximar das pessoas.
Sempre se isolava
Ou isolada era por si mesma.
As circunstâncias mostram que ausentar-se, mesmo estando presente, era o que fazia de melhor.

Na maior parte do tempo, não se sentia mal por ser assim.
Tinha amigos, momentos de proximidade,
Mas ainda assim sempre sentia o vazio.
Não conseguia chegar à profundidade alcançada consigo mesma.
Quase nunca conseguia satisfazer, nem ao menos a superfície, quando estava na companhia de outras pessoas.

O incômodo vinha quando se encontrava em meio à multidões,
Seus olhares sempre inquisitoriais fazia com que ela ficasse sem jeito
Mesmo que mantivesse um ar de superioridade e de desdém.
Não era fácil_ absorver disfarçadamente_ as energias de incompreensão que lhe eram lançadas quando percebiam que ela sentia-se "normal" mesmo estando, na maior parte do tempo, sozinha.

Sempre fora muito solitária mesmo que nem sempre sofresse de solidão.
Já tinha se habituado a conviver sob essa ótica ao ponto de sentir-se bem na maior parte do tempo.
Conversar consigo mesma era um hábito que com a prática cotidiana tornou-se prazeroso, de início ocorreu por necessidade, com o passar do tempo, por opção.

Mas nesses dias, em que tinha que sair de seu casulo, era sempre doloroso ao ponto de querer ser como os outros,
Mesmo sabendo que singularidade nem sempre é sinônimo de anomalia.

Joana Bravim


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Como Uma Orquídea



Hoje, mais do que nunca, convivo com essa brisa árida e seca que o meu jeito desajeitado e tímido me resguarda.

E eu te quis tanto...

E no ápice da torrente dos meus desejos mais ardentes por ti,
No ímpeto desse sentimento que queimava em meu ser,
Sussurrei no teu ouvido o que sentia_ na esperança de libertar-me do que me corroia e gritava querendo fugir do mais profundo do meu âmago.

Não tive forças para segurar o que ebulia dentro de mim... Jorrando, desaguando...
E com palavras quebrei as correntes que trancafiavam os portões da minha timidez,
E vi o que eu sentia voar rumo à liberdade do teu saber...

E tu como uma orquídea, delicada e irremediavelmente fria, punhas tua mão sobre a minha agradecendo pelo que ouvia, e agora sabia, porém não se importava.
E até a tua impessoalidade me encantava, mesmo que dela desencadeasse a mais profunda tristeza que uma mulher refém dos sentimentos poderia sentir.

Hoje respirar dói!

Cada expiração é um desabafo da certeza de não ter o teu amor.
As horas rastejam em meio aos escombros de uma existência_ que contrariamente a minha esperança_ insiste em nascer e se por diariamente.

O passar dos dias trás consigo o odor que a morte de tudo o que acreditava exala.

Hoje só me resta o vazio do que acreditava e meu olhar perdido no horizonte buscando por algum ponto no qual possa se fixar.

Joana Bravim