terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Como Uma Orquídea



Hoje, mais do que nunca, convivo com essa brisa árida e seca que o meu jeito desajeitado e tímido me resguarda.

E eu te quis tanto...

E no ápice da torrente dos meus desejos mais ardentes por ti,
No ímpeto desse sentimento que queimava em meu ser,
Sussurrei no teu ouvido o que sentia_ na esperança de libertar-me do que me corroia e gritava querendo fugir do mais profundo do meu âmago.

Não tive forças para segurar o que ebulia dentro de mim... Jorrando, desaguando...
E com palavras quebrei as correntes que trancafiavam os portões da minha timidez,
E vi o que eu sentia voar rumo à liberdade do teu saber...

E tu como uma orquídea, delicada e irremediavelmente fria, punhas tua mão sobre a minha agradecendo pelo que ouvia, e agora sabia, porém não se importava.
E até a tua impessoalidade me encantava, mesmo que dela desencadeasse a mais profunda tristeza que uma mulher refém dos sentimentos poderia sentir.

Hoje respirar dói!

Cada expiração é um desabafo da certeza de não ter o teu amor.
As horas rastejam em meio aos escombros de uma existência_ que contrariamente a minha esperança_ insiste em nascer e se por diariamente.

O passar dos dias trás consigo o odor que a morte de tudo o que acreditava exala.

Hoje só me resta o vazio do que acreditava e meu olhar perdido no horizonte buscando por algum ponto no qual possa se fixar.

Joana Bravim




domingo, 7 de agosto de 2011

Enraizada ao Passado


Sinto o peso das correntes da incerteza que arrasto
Faço-me escrava de uma esperança inexistente
Apego-me ao nada que você deixa
Revivendo momentos que o “nunca” não repetirá

A realidade do teu desamor por mim me deixa em carne viva
Dor intensa que vem em ondas de arrepios e pensamentos torturantes sobre você e outro alguém
Essas hipóteses me dilaceram
Vejo-me sangrar e não vejo remédio que estanque

O peito continua a soluçar enquanto a face tentar exprimir um sorriso, mesmo que amarelo.
Os dias seguem... Tudo segue.
Eu prossigo, mas por dentro me vejo de joelhos, enraizada ao passado.

Corpo no presente seguindo rumo a algum futuro,
E coração em um passado abandonado por você.
Meu interior hoje habita em uma casa abandonada e vazia,
Enquanto meu corpo segue em uma estrada rumo a algum lugar...

Joana Bravim

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fratura Exposta




Sabia como ninguém permitir que os outros dilacerassem seu orgulho.
Era totalmente incapaz de cuidar de si mesma,
De proteger o que ainda restava, mesmo que aos cacos, de mais precioso dentro de si_ suas aspirações mais íntimas.
Sempre se expunha demais e sempre pagava um preço alto por isso
E nunca aprendia.
Ou por ter  “alzheimer” sempre esquecia.
Esquecia da intensidade da dor, mesmo que suas feridas e cicatrizes lhe esfregassem na cara todo o martírio vivenciado por culpa da sua displicência.
Não sabia voar, porém, nunca exitava quando diante de um abismo.
Por conta disso, "se jogar" sempre resultava em destroços.
Era desesperador e angustiante perceber sua própria queda e não poder fazer mais nada, tendo em vista, A sua apatia em agir quando ainda havia tempo.
E com o passar dos anos, torna-se cada vez mais difícil emendar-se
E cada vez mais complexo conseguir entender a aberração interna que resulta da recuperação de tantas fraturas, muitas delas, às vezes expostas.

Joana Bravim


sexta-feira, 15 de julho de 2011

De joelhos



Eu te busco, te encontro e te cuido
Saro tuas feridas, resolvo tuas pendências da vida
Me abrigo e me abasteço dos teus sorrisos, jeitos e jeitos escondidos
E você foge.

Eu te salvo, te protejo e te acho
Abro teus olhos para os teus predadores
Te protejo do trânsito e de falsos amores
E você foge.

Entendo tuas crises, tuas ânsias e desilusões
Me adapto à diferentes situações
Me realinho, reorganizo no espaço que sobrar pra mim
E na falta desse espaço e mesmo assim
Você foge.

Guardo teu sono, te dou carinho, te dou meu ombro
Meus ouvidos e todos os outros sentidos, sonhos e escombros e mesmo assim
Você foge.

Faço o que estiver ao meu alcance
E tento fazer o que não estiver ao meu alcance também,
Faço o que você quer, e o que nem sabe que quer
Tento sempre ir além
E você foge.

Te espero, te resgato, te busco e nem sempre acho
E mesmo em meio a essas quedas
De joelhos, me arrastando e me reerguendo
Continuo lutando te perdendo e te ganhando
E nem é pra mim, é só pra ter a você a uma distância relativamente menos dolorosa
Do que não ter de modo algum
E isso me faz fugir
do caminho que me leva à desistir
do que sempre se mostra não ser pra mim.

Joana Bravim

terça-feira, 12 de julho de 2011

Só mais uma vez


Só mais uma vez, só dessa vez, só por hoje,
Me prendo às lembranças do nosso doce embalo
Tenho você todos os dias em momentos eternizados na minha memória...
Mas não quero viver só de lembranças.
Quero você aqui, comigo, agora.

Quero cuidar de você, ser teu ninho, teu refúgio.
Quero ser o lugar pra onde você corre quando tem problemas, tristezas e alegrias.
Quero ser teu primeiro pensamento nos momentos que se passam com você.
Quero teu cheiro, teu stress, teus problemas...
Quero teu pé batendo de ansiedade perto de mim
Quero teus olhos em mim e em tudo a nossa volta no presente e no futuro.
Mesmo que só no agora. Mesmo que só por hoje.

Fiz de você meu abrigo sem perceber, sem permitir...
E me vejo sem lar, sem lugar pra voltar.
Quero teu abraço carinhoso no meu corpo
Teu gemido e tua voz de excitação no meu ouvido
Quero teu suor misturado ao meu
Quero te ouvir e te ver falar
Só mais uma vez, só dessa vez, só por hoje.

Quero você livre em mim...comigo...
Sem amarras, sem pudor, sem medos...
Só você e eu.
Desejos e carícias completos, intensos...
Quero a nossa submissão às nossas vontades e ao controle que elas exercem sobre o nosso tesão.
Hoje muito mais que estar com você por alguns momentos quero totalidade… quero entrega.
Só mais uma vez. só dessa vez, só por hoje.

Do amanhã eu não sei
Mas sei do medo, não medo de não ter você,
Mas medo da pessoa que tenha a você não te cuide.
Não imagino dor maior em mim.

Joana Bravim


sábado, 11 de junho de 2011

Construção Civil


Escolhi as minhas ilusões em detrimento da minha realidade.
As minhas projeções e expectativas me consomem tanto...
Não sei se dá espaço para viver o real,
Até vivo, entretanto, o pensamento está sempre no que almejo.
Será que isso é viver?

Não é fácil adaptar-me a essas mutantes expectativas internas e sobreviver a essa sobrecarga de desilusões,
Mais difícil ainda é deixar-me partir_ extrair do âmago do meu ser todo esse suporte de ilusões que me deixaram de pé e conseguir seguir após cada implosão.
Não sei trabalhar com essa construção civil! 
Tudo desaba sobre e dentro de mim e não é fácil desapegar desse entulho.

Essa sobrecarga de sonhos que sempre desencadeiam em vazios e reflexos meus tão solitários está acabando comigo.
Não sei ao certo o que me tornei, esses  eu’s me dilaceram tanto às vezes que fica difícil colocar harmonia na casa. Já que ordem é impossível.
Sinceramente não sei quem manda em quem. E não é nada fácil conviver com tantos de mim e sobreviver a eles. Sempre saio em estado deplorável , em carne viva, após cada batalha sempre dolorosa.

To tão cansada disso tudo e principalmente de perseguir sonhos dentro de mim.
Cansada de me perseguir e frustrada por nunca me alcançar.

Joana Bravim

terça-feira, 7 de junho de 2011

Memórias


Estou aqui sentada em um canto vazio no chão do meu quarto
Com olhos marejados olhando minhas feridas e cicatrizes, chagas da vida há  muito carregadas por mim,
E mesmo relembrando as dores do passado que ainda se fazem presentes, em suas alfinetadas de melancolia sentidas no peito,
Ainda assim, sinto que fui feliz, em um momento ou em outro, não importa. Fui feliz!

Ilusão achar que existe felicidade plena e absoluta. Não somos plenos e absolutos em nós mesmos, somos eivados de vícios, lacunas e abismos de não saber o que se é ou o q se quer... diante disso, essa utopia já cai por terra.
Existem sim MOMENTOS plenos e absolutos. MOMENTOS.

Hoje me deparei com simples momentos, como foi incrível visualizar os detalhes refletidos no espelho da minha memória!!!
Feed back de simplicidades.
Momentos tão simples, tão pequenos...

É impressionante como a gente sempre espera uma felicidade grandiosa, no entanto, quando sentimos saudade de alguma coisa ou alguém, os momentos que mais sentimos falta são os simples e corriqueiros.
Um sorriso, um jeitinho de olhar...um cheiro...
Tudo tão profundo... e eu me questiono: qual a superfície de um sentimento?

Coisas tão pequenas que tornam-se tão extraordinárias ao ponto de se eternizarem em nossa memória.
Infelizmente, ou felizmente,não sei.Tudo tem um preço.
Antes, durante e/ou depois, surgem preocupações, irritações... impecilhos tornam-se uma constante.
Problemas aparentemente insolucionáveis, mas que parecem amenizados quando se tem um anjo com quem dividir o peso.

Joana Bravim