Deixo-te ir mesmo sabendo que tua ida é o caminho mais curto para o calabouço de uma existência fria e solitária.
Deixo-te ir com a certeza de que em teu lugar ficará uma dor persistentemente sufocante.
Mas antes de partir, me diz:
Como ei de esquecer a paz e o aconchego que é olhar você?
Como ei de esquecer as horas que deslizavam suaves pelos dias afora que dividi contigo?
Como ei de esquecer?
Como ei de ser feliz sem teu colo que é meu abrigo?
Como ei de fazer para sobreviver?
Tua ausência é meu castigo
E penosa é a previsão do meu amanhã
Nebuloso é meu futuro, tu não estás nele.
E feliz pensei que tu eras minha metade
Quão ingênua fui
Tu eras tudo, essa é a realidade.
No meu peito o ardor persiste só que agora este é triste.
É dor que lateja vibrante
É a única coisa que aqui por dentro vive
Ah minha doce amada, tu que há pouco não eras nada te tornaste tudo.
E hoje tudo em mim desaba
A ilusão de uma vida plena ao teu lado me alicerçava
O vazio que deixas enchem os meus dias de amargura
Inquieta minh’alma, meu olhar não mais irradia.
E só o que me resta é deixar-te partir fragmentando meu ser em ínfimos pedaços
Amo-te demais para prender-te
Que seja feita a tua vontade mesmo que esta seja o custo de minha felicidade
Amar-te é meu sacrifício
Hoje só me resta a vertigem dos momentos.
Joana Bravim

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